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Projeto de Arqueologia busca desvendar histórias do Engenho do Murutucu

O Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) promove, a partir desta segunda-feira, 13, escavações arqueológicas no Engenho do Murutucu, localizado na estrada da Ceasa, no bairro Curió-Utinga. Já é o segundo ano em que as escavações ocorrem no local, por meio do “Projeto Sítio-Escola Engenho do Murutucu: Uma Arqueologia dos Subalternos”, coordenado pelo arqueólogo e professor doutor do PPGA Diogo Costa.

 A nova fase de pesquisas no sítio histórico ocorre até 31 de julho e, como em julho de 2014, quando iniciou, pretende treinar os participantes nas técnicas de escavações e posteriores análises laboratoriais do material coletado. Participam das atividades, além dos alunos do PPGA, estudantes de graduação e pós-graduação de várias áreas, tanto da UFPA quanto de outras universidades de Belém e até de fora do Estado, como é o caso de um participante do Rio de Janeiro e outro de Santa Catarina. Foram ofertadas 90 vagas, todas preenchidas, sendo 30 vagas por semana.

Importância histórica - O Engenho do Murutucu, monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1981, foi um dos mais importantes engenhos de açúcar e aguardente da Região Amazônica. Tem uma história de ocupação bastante diversificada, com a presença de senhores e senhoras de engenho, indígenas e africanos escravizados, além de ter contado com a presença de personagens ilustres, como o arquiteto Antônio Landi, e ter servido como acampamento para tropas cabanas.

Escavações - Em 2014, as escavações ocorreram em três áreas distintas, duas identificadas como da provável senzala e uma como local de descarte de materiais, chamada de lixeira. Foram encontrados cerca de 13 mil artefatos, de composições variadas, como metal, louça e cerâmica. Em 2015, as atividades irão se concentrar em duas áreas novas, na Casa Grande e na Fábrica do Engenho.

De acordo com o professor Diogo Costa, o material analisado, até agora, revelou vários aspectos da vida cotidiana das populações que ocuparam o engenho. “Descobrimos, por exemplo, que o sítio foi ocupado cerca de 100 anos antes do que a documentação histórica aponta. Também pudemos perceber traços das culturas indígenas e africanas e como elas se relacionavam para criar novas identidades culturais personificadas nos objetos. Esse espaço é capaz de suscitar memórias sobre como se davam as relações sociais no passado, promovendo grandes reflexões acerca da cultura paraense atual”, avalia.

Arqueologia – O coordenador do projeto enfatiza a importância de informações desveladas pela Arqueologia histórica. “As nossas pesquisas permitem obter dados que não estão contidos em outras fontes de informação, como documentos, memórias ou imagens do passado. Esse conhecimento, além de evidenciar aspectos importantes da história, pode ser usado no presente para empoderar segmentos marginalizados na sociedade ou mesmo preparar nosso futuro com a aplicabilidade de tecnologias esquecidas”, explica.

Visitas - Além das escavações para graduandos e pós-graduandos, o projeto vai oferecer, no mesmo período, visitas guiadas ao local para o público em geral que se interessar pelo tema, das 9h30 às 11h30, bastando agendar previamente pelo e-mail sitioescolamurutucu@gmail.com. A partir de agosto, alunos de duas escolas públicas do entorno também devem conhecer o sítio, em ações de educação patrimonial previstas pelo projeto.

Serviço:
>>Escavações no Sítio-Escola Engenho do Murutucu
De 13 a 31 de julho
Inscrições encerradas
>> Visitas guiadas ao sítio
De 13 a 31 de julho
Das 9h30 às 11h30
Agendamento pelo e-mail  sitioescolamurutucu@gmail.com
Mais informações no site do projeto.

Texto: Ádria Azevedo – Ascom/IFCH
Fotos: Divulgação / projeto

Publicado em: 11.07.2015 18:00