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Parto Humanizado recoloca a mulher no centro das atenções

Em casa, na maternidade ou no centro cirúrgico? Qual o lugar mais adequado para a mulher ter o seu bebê? E qual é o tipo de parto mais aconselhado? Nos últimos anos vem ganhando força  o Movimento de Humanização do Parto e Nascimento. Esse é tema da terceira reportagem da UFPA em Série: Maternidade.

A professora do Instituto de Ciências da Educação (ICED-UFPA) Edna Barreto, militante do Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento, e mãe de dois filhos, ambos nascidos por meio do parto domiciliar, afirma que “o parto mais aconselhável é aquele que a mulher pode ter liberdade, pode fazer escolhas, é respeitada e está bem informada. Do ponto de vista da medicina baseada em evidências científicas, das boas práticas de atenção ao parto da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos protocolos de humanização do nascimento do Ministério da Saúde, o parto mais saudável para as mães e os bebês é o parto normal, sem intervenções desnecessárias”.

Parto humanizado - O Parto Humanizado significa dar toda atenção às necessidades da mulher e oferecer-lhe o controle da situação na hora do nascimento, mostrando suas opções de escolha baseadas na ciência e nos direitos que ela tem. Ainda segundo a professora, o chamado parto humanizado é o conceito utilizado para definir o atendimento ao parto centrado nas necessidades da mulher, pois ela é a protagonista e deve ter total liberdade de escolha e movimentação na hora do nascimento de seu bebê. “O parto não é do médico ou do hospital, e sim da mulher”.

A humanização do parto não é uma nova técnica, tipo ou modelo de parto. Ele recoloca a mulher e suas necessidades no centro das atenções. Há evidências científicas que mostram que a medicalização excessiva e rotineira usada durante o parto apresentam riscos para as mães e os seus bebês. O parto é um evento exclusivo das mulheres e a atenção técnica dos médicos - às vezes - gera intervenções que só acrescentam tensão, medo e dor para as futuras mamães.

Em casa – “Vale a pena ressaltar que nem todo parto humanizado é domiciliar e nem todo parto domiciliar é humanizado”. A professora Edna explica que o parto domiciliar desestrutura a indústria medicalizada de atenção ao parto e devolve à mulher o poder de decidir sobre seu corpo, diminuindo, assim, o domínio que profissionais da saúde e hospitais criaram em torno da atenção ao parto, ou seja, recoloca a necessidade de uma atenção integrativa, interdisciplinar e focada nas necessidades individuais das mulheres.

Cesária – O parto é um evento fisiológico e 85% das mulheres podem desempenhá-lo de forma autônoma e natural. Sendo assim, por que 85% dos nascimentos na rede privada se dão por via cirúrgica? Por que, atualmente, há mais cesarianas do que partos normais, mesmo a OMS recomendando em torno de 15% de cesarianas?

O Parto Cesáreo é um processo importante usado para salvar a vida da mãe e do bebê, quando a vida de um - ou dos dois - está em perigo. Recentemente, muitas mulheres têm optado por esse procedimento, pois alegam que não faz sentido sofrer dor nos dias atuais, e outras agendam suas cesáreas por pura conveniência. E é aí que mora o perigo!O Ministério da Saúde tem alertado sobre o perigo dos agendamentos dos partos, pois muitos deles acabam ocorrendo prematuramente e colocando a mulher e o seu bebê em risco. O conselho é que a mãe espere o bebê avisar que está pronto para nascer, ou seja, espere entrar em trabalho de parto.

“As mães devem ser bem informadas para que possam fazer escolhas conscientes e fundamentadas sobre o tipo de parto que desejam ter. Uma boa informação requer parâmetros baseados em evidências científicas, e estas preconizam o parto normal sem intervenções como o mais saudável. Frequentemente, as mulheres são induzidas a acreditar nos “riscos”, “perigos” e “complicações” do parto. Tais informações se baseiam tão somente em crenças, costumes e rotinas profissionais e hospitalares obsoletas”, adverte a professora.

Projeto de Lei do Senado – A PLS 8/2013, projeto de lei apresentado pelo senador Gim Argello (PTB-DF), deverá alterar a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/1990) para obrigar o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer condições para a realização de partos humanizados em seus hospitais e as orientações técnicas para que esses partos sejam realizados. O projeto ainda está sob análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em fase de recebimento de emendas.

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Texto: Michelle Fernandes – Assessoria de Comunicação da UFPA
Fotos: Lais Teixeira e Mácio Ferreira

Publicado em: 11.05.2013 17:19