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Laboratório de Linguagem Corporal investe em alternativa à educação tradicional

Crianças chegam na UFPA e se põem à beira do rio. Bonecos, jogos, tenda de teatro e pernas-de-pau a postos. Começa mais uma oficina lúdica, com brincadeira e aprendizado, do Laboratório de Linguagem Corporal (Lacor). O princípio da educação formal tradicionalmente obedece uma lógica de divisão entre corpo e mente, prima pelo intelecto e vê o corpo como uma parte meramente física, e não como um todo historicamente complexo.
O corpo é considerado, pela educação alternativa, uma síntese cultural, um espaço de reprodução social e de produção cultural, e a linguagem enquanto expressão corporal é o principal objeto de pesquisa do Lacor. “Nos propomos a fazer um estudo sobre como se dá o processo de comunicação corporal, para que possamos superar o modelo de educação mentalista, pois nós não ‘temos’ um corpo, nós somos um corpo”, explica Paulo César Lima, coordenador do laboratório.
O Lacor é um laboratório de ensino, pesquisa e extensão. Os alunos de licenciatura ministram aulas, deixando de ter uma visão simplesmente teórica, e passam a lidar com situações reais, o que qualifica o ensino. Ao ministrar, eles fazem o registro e adaptam o método de ensino da educação alternativa, caracterizando a pesquisa. Estas pesquisas são devolvidas à sociedade em forma de palestras, oficinas e mini-cursos para professores do sistema formal de ensino de diversas comunidades de baixa renda. Aí está caracterizada a extensão.
O projeto visa experimentar um espaço alternativo de educação e inclusão social, baseado na espontaneidade e na cultura popular. Os alunos criam as regras num modelo construído por eles, onde eles próprios fiscalizam e “punem”. Já as obrigatoriedades estabelecidas na educação tradicional quebram o princípio da educação lúdica. As oficinas têm caráter gradativo. Para se ter uma idéia, a oficina de Artes Circenses começa com perna-de-pau, depois malabares, pequenas acrobacias, clown e mágica. Sem perder de vista a filosofia do circo, que prima pelo espírito de coletividade. A dança reúne música, contadores de história e danças populares, dentro de um contexto de ritmo e composição da própria criança. “É um projeto de educação para a cidadania e formação da consciência crítica. Se tivermos espetáculos, isso é conseqüência. A meta, que já superamos, é atender 500 pessoas das comunidades por ano”, afirma Paulo César.
O laboratório foi idealizado desde 2003, mas foi estruturado no final de agosto deste ano, com cinco bolsistas da Prefeitura de Belém e dois da Pró-Reitoria de Extensão da UFPA. Já têm três trabalhos de pesquisa aprovados para o XVI Encontro Nacional de Recreação e Lazer, que acontecerá em Salvador, outros quatro a serem expostos na Jornada de Extensão Universitária da UFPA e algumas orientações de trabalhos de conclusão de cursos de graduação e pós-graduação. “Por ter um caráter interdisciplinar, os professores e alunos que tenham interesse em fazer pesquisa em educação corporal e cultura estão convidados a participar”, diz o coordenador.
O Laboratório de Linguagem Corporal funciona na capela do campus profissional, na beira do rio, onde qualquer interessado em participar das aulas, com idade a partir de 6 anos, pode se inscrever. O cadastro também é feito na sala 203 do Centro de Educação. As turmas são de trinta alunos, em média, e são ministradas oficinas de teatro, dança, artes circenses e briquedoteca.. Maiores informações pelo telefone 3183-1602.
Publicado em: 12.11.2004 14:41